Sobre a Revista Granda Verko e seus Símbolos
MARCADORES DE CICLO: A Roda do Ano e os Sabbats como Ancoragens em Ritmo e Fluxo da Natureza
¡Hola!
O que significa essa escolha? Em vez de seguir apenas o calendário civil e os meses tradicionais, a Revista Granda Verko adota os Sabbats como marcação de tempo, o que atrai nossa atenção para o que cada ciclo corresponde na natureza. Os meses continuam como marcadores úteis, pois não há necessidade de desconsiderar o âmbito social, administrativo e civil. Entretanto, a essência da Revista Granda Verko condiz com um alinhamento, ainda que predominantemente simbólico, aos ciclos naturais sistematizados por culturas ancestrais.
A Roda do Ano é um compasso ancestral que traduz o ritmo cíclico da natureza, servindo como uma bússola para navegar pelos estados da alma e pelos símbolos que habitam o imaginário humano. No Hemisfério Sul, essa cadência acompanha a pulsação real da terra sob nossos pés, conectando cada estação a um movimento profundo de transformação interior.
Os Sabbats eram também festividades em culturas ancestrais, desdobrando-se em oito ciclos ao longo das estações com uma simbologia de relevância para nossa narrativa. Enquanto símbolos, revelam-se ainda mais potentes para a nossa organização interna e externa, enquanto comunidade e possivelmente enquanto indivíduos. Algumas considerações importam para compreendermos a Roda do Ano como marcador de fluxo, ritmo e tempo na Revista Granda Verko (e, por que não dizer, como uma ferramenta de alcance transcendental).
Inicialmente, vale notar que a Roda do Ano tem correspondências diretas com ciclos naturais; logo, os Sabbats no Hemisfério Sul invertem-se em relação ao Hemisfério Norte, ao passo que a região equatorial experimenta essa dinâmica de forma mais sutil, menos marcada pelas estações clássicas. Ainda assim, para o percurso da Revista Granda Verko, os Sabbats e suas datas mantêm-se alinhados à convenção cultural e à narrativa que adotamos:
Obs.: horas exatas e dias podem sofrer pequenas variações.
- Samhain (30 de abril a 1 de maio): Ciclo voltado ao recolhimento e à desfragmentação, operando de modo similar a recolher fragmentos essenciais e reintegrá-los, descartando os desnecessários. Diante da dispersão contínua imposta pelo ritmo social, este é o momento de recolher as partes divididas, organizar as pontas soltas e acolher criações ainda imaturas que precisam de abrigo e cuidados.
- Yule (21 a 22 de junho): O Solstício de Inverno. Representa o ápice da constrição obtido pelo processo de desfragmentação. Todas as forças convergem para um ponto central de densidade e repouso, estabelecendo base sólida e coesa.
- Imbolc (1 de agosto): O despertar. Uma vez que as estruturas foram constringidas e reorganizadas em um núcleo estável, a unidade volta a pulsar. Rompe-se a dormência e lançam-se os primeiros esporos, que se dispersam no ambiente à procura de terreno propício para germinar.
- Ostara (21 a 23 de setembro): O Equinócio de Primavera. Ponto de equilíbrio simétrico entre constrição e expansão. É o estado de prontidão para a fertilização: a interação harmônica entre o princípio que projeta (expansivo) e o princípio que acolhe (receptivo para ser fecundado), preparando o engendramento primordial.
- Beltane (31 de outubro a 1 de novembro): O ápice do engendramento. A união entre essas forças complementares atinge intensidade máxima, selando o processo criativo e iniciando a gestação interna, onde a forma ganha consistência e densidade antes de se manifestar por completo.
- Litha (21 a 23 de dezembro): O ápice da expansão e da gestação madura. O que foi gerado atinge plenitude e vem à luz com força total, ganhando autonomia, visibilidade e sustentação própria no mundo.
- Lughnasadh ou Lammas (1 a 2 de fevereiro): Fase de fruição prática. Ciclo destinado a observar, testar e usufruir dos efeitos concretos da criação, acompanhando de perto como ela repercute na realidade e nas interações do quotidiano.
- Mabon (20 a 21 de março): O Equinócio de Outono. Ciclo de depuração e balanço sobre os extratos e substratos resultantes de toda a jornada. Momento de triagem consciente para organizar o descarte do que perdeu função e sutilizar o que realmente permanece, rumo a uma nova etapa de desfragmentação.
Fórmulas Transcendentais de Sazonalidade
Por fórmula transcendental, entenda-se uma sistematização acerca de prioridades, compreensão e operação. Existem diversas fórmulas transcendentais de sazonalidade, como a própria Roda do Ano ancestral, a cadência da Faixa Equatorial e, até mesmo, o Calendário Gregoriano. Cada modelo pode priorizar aspectos distintos, apresentando variações em suas ênfases. Independentemente da fórmula utilizada, ela se torna transcendente no momento em que a pessoa organiza a própria identidade, compreende a natureza ao redor e os contextos em que está inserida.
A adoção da Roda do Ano ancestral como marcador de ciclo nos trabalhos da Revista Granda Verko remete a uma abordagem que busca gerar uma visão e percepção alinhadas a ciclos naturais perenes, que ocorrem na natureza, visíveis através da fauna e flora, mas também no ser humano. Trata-se de favorecer a singularidade e a autopercepção de identidade, estimulando a consciência da pessoa humana enquanto ser integrado à própria natureza, atuando como contrapartida resiliente frente aos efeitos da modernidade, que tanto fragmenta o ser.
••• Abya Yala Aya •••
Haux Haux!
Glossário
- Roda do Ano: Compasso cíclico e ancestral que divide o ciclo anual em oito estações ou festivais (Sabbats), refletindo a pulsação da natureza, a agricultura e os estados da alma humana.
- Sabbats: Festividades e marcos temporais tradicionais que pontuam os solstícios, equinócios e os pontos médios entre eles, utilizados aqui como marcadores de fluxo e ritmo sazonal.
- Hemisfério Sul: Região do globo onde as estações ocorrem em oposição ao Hemisfério Norte, exigindo que a leitura da Roda do Ano seja invertida para acompanhar a pulsação real da terra sob nossos pés.
- Desfragmentação: Processo de recolher as partes divididas, dispersas ou fragmentadas do ser e reintegrá-las em um núcleo coeso e essencial.
- Fórmula Transcendental de Sazonalidade: Sistema ou modelo de organização temporal e mental (seja a Roda do Ano, o calendário civil ou ciclos ecológicos) que orienta a percepção da identidade e da relação com o ambiente.
Conteúdos de Estudo
Módulo 1: O Tempo Vivo e os Ciclos Naturais
- Objetivo: Compreender a diferença entre o tempo mecânico/civil e o tempo cíclico da natureza.
- Tópicos: A Roda do Ano como bússola interior; a inversão dos Sabbats no Hemisfério Sul; o resgate da sensibilidade ecológica frente à fragmentação moderna.
Módulo 2: A Jornada dos Oito Sabbats
- Objetivo: Mapear cada um dos ciclos (de Samhain a Mabon) como ferramentas de autopercepção, organização interna e fases criativas.
- Tópicos: Do recolhimento e desfragmentação (Samhain/Yule) à germinação, expansão e colheita (Ostara, Beltane, Litha e Mabon).
Módulo 3: Fórmulas Transcendentais e Identidade
- Objetivo: Utilizar sistemas de sazonalidade como estruturas de ancoragem para a soberania mental e espiritual do indivíduo.
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